sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ma dernière aventure au Pigalle | Parte 1

Era por volta de meia-noite. Chovia muito e o frio me fazia querer agradecer por ter um lar. No meu quarto, uma cama grande e confortável, um tapete feito com pele de urso e uma lareira; aparatos que tornariam a minha noite de sono quase que inesquecível. O tempo foi passando e, apesar de tentadora no início, a idéia de ficar em casa tornava-se cada vez menos atrativa. Já não conseguia ficar na cama. Andava de um lado para o outro em frente à lareira tentando pensar na viagem que faria com Claudine. Não funcionava. Aquela proposta horrenda e irrecusável sempre invadia meus pensamentos. Então, como um soldado que perde as pernas na trincheira, me rendi. Partí da 7ème em direção ao Pigalle para encontrar paz. Achei. Uma linda moça de cabelos claros e aspectos provincianos surge em meu campo de visão. Ela parece estar envergonhada por usar aqueles trajes. Entrou nessa vida a pouco tempo. Provavelmente, veio do interior para conseguir dinheiro para a família. O desgraçado do pai deve tê-la obrigado. Ela deve estar se sentindo a pior pessoa do mundo. Que ótimo. Me aproximo e pergunto o preço da honra de conhecê-la. Ganhei. Já estamos no carro e ela começa a se soltar. Diz que seu maior medo era o de ter que prestar serviços a um homem velho, gordo e mal educado. De acordo com ela, sou o oposto disso. Um príncipe. Nesse momento, ela deve estar pensando que vou levá-la daqui e tirá-la dessa vida. Que serei de fato um príncipe, que irá salvá-la e torná-la feliz; algo que nunca foi. Ela deve estar cheia de esperanças. Isso me excita e me deixa com muita raiva dela. A levo para o galpão velho e imundo que adiquiri ano passado. Ela aparenta um certo receio, mas não recua. Já acha que me ama. A coloco em cima de uma mesa e começo a beijá-la. Ela se entrega totalmente. Me olha como se realmente me amasse. Isso me deixa com muita raiva. Peço a ela que aguarde um pouco, pois tenho que pegar algo. Ela dá um sorriso inocente com ares de libidinoso. Isso me deixa com mais raiva. Vou até o porta-malas do carro, pego minhas ferramentes e me caracterizo. Entro por trás silenciosamente e me aproximo sem que ela perceba. Penso no quão bom estava ficando em ser imperceptível. Então, recebo a pervertida com um taco na cabeça. Sai sangue. Muito sangue. Mas eu sei que ela não morreu. Morrer agora não estava nos planos dela, nem nos meus...

Por: Jean Luc Trousseau

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